Ao longo do Mar Báltico, segundos decidem a sobrevivência. Quando uma chamada de emergência relata uma pessoa se afogando, os fluxos de trabalho tradicionais de resposta em Kiel, no norte da Alemanha, levam de 10 a 12 minutos até que os barcos de resgate estejam na água. Em muitos casos, esse intervalo é longo demais.
O BF Kiel, o Departamento de Serviços Profissionais de Incêndio responsável pela proteção de 250.000 moradores da cidade e do litoral, precisava de uma maneira de visualizar a cena antes da chegada das equipes terrestres. A visibilidade aérea antecipada significava localização mais rápida das vítimas, melhor alocação de recursos e menos pontos cegos.
As operações manuais com drones não eram suficientes. Os primeiros equipamentos ofereciam tempos de voo de 20 minutos, exigiam que os pilotos se deslocassem até as praias e, muitas vezes, chegavam depois dos bombeiros. O drone acabou se tornando uma ferramenta de documentação em vez de um instrumento de resposta a emergências.
Em 2024, a BF Kiel recorreu à FlytBase, a plataforma empresarial de autonomia para operações de drones não tripulados e de missão crítica, para responder a uma pergunta que muitas agências de emergência enfrentam atualmente: como transformar drones em socorristas em vez de ferramentas de apoio.
O desafio
O fluxo de trabalho de emergência da BF Kiel era limitado por três problemas principais.
1. Tempo de respostaPara chegar até uma vítima de afogamento, era necessário acionar equipes, equipar os bombeiros, deslocar-se até as praias e lançar barcos. Isso levava de 10 a 12 minutos. Nas águas frias e ventosas do Mar Báltico, as vítimas de afogamento raramente têm tanto tempo.
2. Incerteza de localizaçãoOs interlocutores raramente forneciam localizações precisas. Os relatos típicos incluíam declarações como "alguém está se afogando a cerca de 200 metros a leste de onde estou". Sem visibilidade aérea, as equipes de resgate se depararam com grandes áreas de busca sem um ponto de entrada definido.
3. Ausência de consciência situacional até a chegada.Em casos de incêndios, acidentes de trânsito ou incidentes de grande porte, os comandantes dependiam inteiramente do pessoal em terra para a primeira confirmação visual. Isso gerava atrasos na escalada da situação e frequentemente resultava em excesso de tropas mobilizadas ou em decisões de resposta tardias.
Como explicou Daniel Ritter, gerente do programa de drones: "Pessoas em risco de afogamento não têm esses dez a doze minutos, e muitas vezes nem sabemos exatamente onde elas estão."
A BF Kiel precisava de um sistema autônomo que pudesse ser acionado em poucos minutos após uma chamada, operar além da linha de visão direta e fornecer informações em tempo real aos comandantes antes da chegada dos bombeiros ao local.
A solução
A BF Kiel começou com um teste controlado na Kieler Woche, um festival de vela de dez dias que atrai mais de três milhões de visitantes à cidade. As ruas ficam congestionadas e a obtenção de informações rápidas é crucial.
Com um único DJI Dock 2, FlytBase forneceu a camada de autonomia que:
- Conectado diretamente ao software de despacho de emergência da BF Kiel.
- Lançamento de drones habilitado em segundos após uma chamada para o 112.
- Operações BVLOS gerenciadas em um raio de oito quilômetros.
- Transmissão de vídeo ao vivo para as unidades de resposta.
- Mantivemos total conformidade com o RGPD por meio de servidores localizados na UE.
Um incidente decisivo
Durante o festival, uma ponte temporária desabou parcialmente com mais de dez mil pessoas nas proximidades. As equipes de resgate em terra levaram aproximadamente cinco minutos para atravessar a multidão. O drone chegou em menos de um minuto, confirmou que não havia pessoas presas e evitou uma operação conjunta de várias unidades. Isso comprovou a eficácia dos drones autônomos como primeiros socorros.
Daniel explicou: "A central de atendimento de emergência já tinha uma visão do incidente antes mesmo de eu chegar. Não havia ninguém na água, ninguém preso, e evitamos enviar várias equipes."
Como funciona
Atualmente, o fluxo de trabalho de emergência da BF Kiel integra a resposta aérea autônoma diretamente em seu sistema 112.
Etapa 1: Chamada de emergência recebidaOs operadores de emergência determinam se o apoio aéreo é útil em casos de afogamento, incêndios em estruturas, acidentes de trânsito ou situações de localização incerta.
Etapa 2: Implantação automáticaAs equipes terrestres são enviadas e o drone é acionado através da função "Ir para Localização" do FlytBase, usando as coordenadas fornecidas por quem fez a chamada ou pelo despachante.
Etapa 3: Lançamento RápidoO piloto aprova a missão, conforme exigido pelas normas da EASA. O DJI Dock 2 é lançado em menos de sessenta segundos.
Etapa 4: Distribuição de vídeo em tempo real: Links RTSP ou links de convidados transmitem vídeo diretamente para chefes de bombeiros, equipes de barcos e comandantes de incidentes.
Etapa 5: Atualizações da missão em trânsitoOs pilotos podem enviar padrões de busca em grade, missões orbitais ou varreduras de ampla área enquanto o drone está em voo.
Etapa 6: Monitoramento do espaço aéreoTrês estações de trabalho no centro de comando gerenciam o controle de drones, transmissões de vídeo e monitoramento do espaço aéreo com o SafeSky e o DRONIC TREX.
Etapa 7: Tratamento em conformidade com o RGPDO vídeo ao vivo não é gravado. As imagens capturadas no local para fins de documentação são armazenadas localmente e nunca na nuvem.
Implementação
Etapa 1: Operações Manuais
De 2019 a 2023, a BF Kiel utilizou drones manuais para compreender as lacunas operacionais e o impacto potencial de uma resposta aérea mais rápida.
Etapa 2: Prova de Conceito:
Uma única implantação de doca durante a Kieler Woche demonstrou resposta autônoma confiável em ambientes congestionados e de alta pressão.
Etapa 3: Preparação Regulatória
Durante três a quatro meses, Daniel coordenou ações com a polícia, as autoridades do espaço aéreo e os operadores aeroportuários para garantir o pleno cumprimento das regulamentações de voo além da linha de visão (BVLOS) e das políticas locais.
Etapa 4: Treinamento de Piloto
Os pilotos precisam de certificação A2, de cinco a dez horas de prática supervisionada, uma verificação interna de proficiência e voos regulares a cada três meses. A BF Kiel descobriu que os novos pilotos se adaptavam mais rapidamente ao controle autônomo do que os pilotos recreativos de drones com hábitos preexistentes.
Etapa 5: Implantação Operacional
Após o sistema se mostrar estável, a BF Kiel expandiu seu uso para resgate aquático, avaliação de incêndios, acidentes de trânsito e eventos com grande público.
Etapa 6: Escalabilidade Futura
Os planos incluem operação 24 horas por dia, 7 dias por semana, um terceiro cais que abrangerá as regiões periféricas restantes e detecção assistida por IA para pessoas na classificação de água e fumaça.
Os resultados
Em menos de duas temporadas operacionais, a BF Kiel registrou melhorias mensuráveis e quantificáveis em todas as etapas de resposta a emergências.
Resposta de resgate aquático 60 a 70% mais rápida
- Antes: 10 a 12 minutos para os barcos chegarem ao local.
- Após: 3 a 5 minutos para a chegada do drone autônomo.
- Tempo economizado: 5 a 7 minutos janela crítica de resgate
Essa é a diferença entre busca e resgate em casos de afogamento no Mar Báltico.
Chegada 5 vezes mais rápida a incidentes graves
- Chegada de drone durante o desabamento da ponte: menos de 1 minuto
- Chegada da equipe de resposta em terra: cerca de 5 minutos a pé
- Melhoria de velocidade: 5 vezes mais rápido
- Impacto: impediu o envio de 6 a 8 veículos de emergência durante um evento de alta densidade
201 quilômetros quadrados de cobertura por doca
- Raio operacional efetivo utilizado pela BF Kiel: 8 km
- Área coberta por doca: aproximadamente 201 quilômetros quadrados
- Área total ocupada por Kiel: 118 quilômetros quadrados
- Docas necessárias para cobertura total: Três docas cobrem cerca de 98% da jurisdição.
O caminho a seguir
A BF Kiel está construindo uma das redes autônomas de resposta a emergências mais avançadas da Europa. As melhorias planejadas incluem:
- Cobertura completa 24 horas por dia, 7 dias por semana.
- Implantação do terceiro cais para cobertura jurisdicional quase completa.
- Implantações sazonais de equipes de resgate em praias para operações de combate a afogamentos no verão.
- Detecção com inteligência artificial para identificação de pessoas em colunas de água e fumaça.
- Melhor coordenação com a polícia, hospitais e helicópteros de resgate.
- Redução futura no tempo de aprovação de lançamentos conforme a evolução das regulamentações
Daniel resumiu a filosofia deles: "Sempre enviaremos equipes. O drone não substitui as pessoas. Ele fornece a elas as informações de que precisam mais rápido do que nunca."
Conclusão
A colaboração da BF Kiel com FlytBase redesenhou os primeiros minutos de cada emergência. A resposta passou de uma entrada às cegas em dez minutos para o fornecimento de informações aéreas em três minutos. As equipes em terra agora chegam informadas, preparadas e significativamente mais rápido.
FlytBase forneceu a camada de autonomia, o DJI Dock 2 garantiu a confiabilidade e a BF Kiel trouxe a visão de usar drones como verdadeiros socorristas.
Este caso demonstra que a autonomia na segurança pública fortalece os profissionais de resposta, dando-lhes a vantagem informacional necessária para salvar vidas.
Perguntas frequentes
Como BF Kiel usa FlytBase?
FlytBase oferece integração para despacho de emergências, planejamento de missões, operações BVLOS (Beyond Visual Line of Sight - Além da Linha de Visão Visual), telemetria e transmissão segura de vídeo.
Quais aprovações regulamentares foram necessárias?
Aprovações BVLOS sob a EASA, além da coordenação com a polícia, autoridades aeroportuárias e controle do espaço aéreo. A autorização manual ainda é necessária para cada decolagem.
Quais resultados foram alcançados?
Tempo de resposta reduzido de 10 a 12 minutos para 3 a 5 minutos, mais de 95% de prontidão, cobertura de 201 quilômetros quadrados por doca e usabilidade em múltiplos incidentes.
Este modelo pode ser escalado?
Sim. O fluxo de trabalho da BF Kiel fornece um modelo para agências de bombeiros, polícia e serviços médicos de emergência que desejam implantar drones autônomos como sistemas de resposta a emergências.




